MÍDIA

 

O artigo de Pedro Cafardo, publicado no Valor Econômico, apresenta o debate sobre um Programa de Garantia de Emprego (PGE) como resposta ao risco de desemprego estrutural, agravado pelas transformações tecnológicas e pela inteligência artificial. O autor destaca que a proposta foi aprofundada em uma série de 11 artigos da Fundação Friedrich Ebert Stiftung, com base em pesquisas do CESIT/IE-Unicamp, e menciona diretamente as contribuições de Marcelo Manzano e Simone Silva de Deos, professores do Instituto de Economia da Unicamp.

Sobre Manzano, Cafardo ressalta a divisão da economia brasileira em quatro núcleos: o setor capitalista mercantil, a administração pública, os arranjos de subsistência e as ocupações sociais. A proposta destacada pelo autor é expandir esse último campo — cultura, cuidados, agricultura urbana, reflorestamento, educação ambiental, esportes e restauração de patrimônio — com financiamento público, de modo a oferecer trabalho digno a pessoas hoje marginalizadas pelo mercado. Segundo o texto, Manzano estima que o programa custaria cerca de R$ 250 bilhões ao ano e poderia ser implantado em fases para reduzir impactos inflacionários.

Em relação ao artigo de Simone Deos e Pietro Borsari, Cafardo enfatiza o desenho macroeconômico da proposta. Eles calculam que a remuneração do PGE deveria ficar abaixo do salário médio do mercado, justamente para evitar competição direta com empregos privados. O ponto central, segundo o autor, é substituir a chamada “âncora do desemprego” — isto é, o uso do desemprego como instrumento de controle inflacionário — por um estoque regulador de empregos públicos. Para Cafardo, a proposta desloca o debate para além de inflação, juros e responsabilidade fiscal, ao recolocar o pleno emprego como horizonte de política pública.

 

Leia a íntegra no Valor Econômico:
https://valor.globo.com/brasil/coluna/dar-emprego-a-todos-que-queiram-trabalhar-uma-utopia.ghtml